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PERSPECTIVAS FUTURAS MEDIA PARTICIPATIVOS GRUPO: JORNALISMO/ INFORMAÇÃO Luís Miguel da Cruz Pato Nº Mec. 32431 E-Mail: lmpato@ua.pt

INTRODUÇÃO

1 – O CONTEXTO DO JORNALISMO PARTICIPATIVO A IMPORTÂNCIA DA DESCENTRALIZAÇÃO

Historicamente, observa-se que esta profissão sempre teve a necessidade de responder aos avanços tecnológicos e sociais (Bowman, Willis, 2003: 15). Hoje, acredita-se que esta realidade encontra-se mais uma vez envolvida numa encruzilhada à medida que o panorama mediático se encontra cada vez mais fragmentado e descentralizado. Ou seja, hoje observa-se que as fronteiras entre plataformas mediáticas são “fáceis de atravessar” (Nilsson, Olsson, 2001: 58). Ao pensar-se acerca dos conceitos das migrações digitais – onde se destacam os movimentos de imigrantes e emigrantes digitais, observa-se que a quebra de barreiras é basilar. Acerca deste propósito, Prensky conclui que esta realidade mediática descentralizada para alem de ser benéfica é essencial para a emergência de realidades comunicacionais nos novos media (Ibid., 2001). No entanto, antes de prosseguir este trabalho convirá fazer a questão: O que é que se entende por “Descentralização”? Observa-se que é uma relação entre sistemas que diferem entre si mas que têm pontos de ligação entre si. “O poder não reside por inteiro numa única localização central e muitas decisões importantes são tomadas por indivíduos com base no seu conhecimento local, em vez de o serem por planificadores omniscientes ou clarividentes” – completa Suroweiki (Ibid.,2005: 98). Acerca deste propósito, pode ver-se o conceito de “Maven” de Malcom Gladwell. Aqui, este autor norte-americano refere que haverá sempre a necessidade de existirem “líderes naturais”. Acredita-se que a ocupação desta posição não está associada aos aspectos profissionais dessas pessoas; poder-se-á dizer que são aspectos que estão relacionados com o carisma (Ibid., 2000 : 32-34). Observando o mundo digital acredita-se que o mundo dos blogues espelha bem esta situação. Nesta realidade – que se pode considerar como fruto do carisma intrínseco às seus executantes – Amy Shuen acrescenta-lhe as seguintes realidades: “contectores, vendedores, catalizadores e envagelhadores”(Ibid., 2008: 197). Veja-se o caso do sítio na Internet de James Kotecky e o blogue de personagens como: Dan Gillmor, Henry Jenkins e Pacheco Pereira. Aliás, o próprio Gillmor considera que os dados que são partilhados e difundidos pelos blogues são pautados por autenticidade. Estes são imbuídos de genuína paixão humana que acaba por ser aceite e respeitada pela comunidade (Gillmor, 2004: 46). Por isso, é possível compreender-se a crescente importância que é dada à realidade dos blogues, à de sítios como: “OhMyNews” e à das “Wikis”. Enfim, “são a melhor fonte para ver como é que a informação está a ser produzida e consumida”, conclui Gillmor (2006). Pode argumentar-se que o actual fenómeno da informação descentrada, criada e mediada digitalmente, fundamenta o seu sucesso na participação do público. Aliás, concluímos este aspecto ao vermos realidades mutáveis como a: “ShapeShifted TV” ( Williams, et. al.,) que dependem da participação do público. Em suma, afere-se que a dimensão da acção do público é encarada como um aspecto essencial para o sucesso da informação no futuro (Lasica, 1999).

2 – DO FENÓMENO DO JORNALISTA MULTIMÉDIA E O JORNALISMO PARTICIPATIVO

Devido à globalização, hoje é possível observar-se a existência de uma reconfiguração dos espaços onde os fenómenos comunicativos têm uma importância cada vez mais relevante. Constata-se que a “Internet” e as “Novas Tecnologias da Comunicação” são responsáveis por uma aceleração de processos no campo do Jornalismo e da Informação (Canavilhas, 2004). Por isso, pode-se concluir que no caso do jornalismo esta realidade está num momento de mudança. Crê-se que esta realidade – tal como a conhecemos – jamais será a mesma. Ou seja, “o hiato entre as ‘fronteiras’ desta área e as das outras profissões está cada vez mais diminuto” (Deuze, 141: 2007). Aliás, acerca deste propósito, é possível observar-se que hoje quando se pensa na relação entre jornalismo e novos media, apesar de alguma resistência, já há uma ideia de um trabalho multi-perspectiva que é efectuado através de uso de várias ferramentas multimédia (Quinn, Filak, 2005: 7). E a profissão, qual é a caracterização dos jornalistas do futuro? “MoJo” (Mobile Journalist) – responde Mark Briggs (Ibid., 2007: 41). “Platypus”, “Backpack Journalist” “Inspector Gadget” – concluem Stephen Quinn e Vincent Filak (Ibid., 2005: 7). Podemos concluir que: são muitos nomes para a mesma realidade. No entanto, que realidade profissional será esta? Aqui, está-se a falar de uma profissão cuja a acção é cada vez mais resultante de uma crescente utilização de um número de tecnologias da comunicação que alteraram a produção de conteúdos e as formas em que as audiências os recebem (Briggs, 2007: 41-43). Ao observar-se este último tópico poder-se-á concluir que: em termos de produção de conteúdos, num futuro muito próximo, nem será necessário ao jornalista deslocar-se à redacção. Trabalhará a partir da sua redacção virtual – composta por “software” e “hardware” cada vez mais potentes e mais portáteis (Pavlik, 2001: 106). Concluí-se, portanto, que haverá uma quebra das fronteiras físicas dos espaços de produção de conteúdos (Ibid.,). A propósito deste resultado que se crê proveniente da hermenêutica concluí-se que: num futuro próximo, haverá a possibilidade das companhias de produção mediática estarem num bolso ou numa mochila – isto porque “a principal dimensão já não é a física” (Nilsson, Nuldén, Olsson, 2001). Do ponto de vista empresarial, em termos de comunicação, acredita-se que há uma necessidade de reconhecer e aplicar as mudanças que estão a suceder. No entanto, que tipo de mercado melhor se adequará à realidade multimédia? Stephen Quinn considera que será o: “local” (Ibid., 2005: 111). Este autor considera que esta realidade se deverá essencialmente à falta de profundidade do assunto que está a ser tratado. Ou seja, não tem uma importância nacional/ internacional (Ibid., 2005: 113). Aqui, podemos ver o caso de alguns jornais com pendor local que ressurgiram com a implementação das novas tecnologias ao serviço da jornalismo. Acerca deste propósito podemos ver o caso do: “Huffington Post” e do “Old Front Page” – jornais que surgiram após a sua versão impressa ter sido extinta. Porém, impõe-se a questão: Como é que será com a televisão? Por causa de uma questão de tempo e de proximidade, Nick Ascheim do jornal “New York Times” afirma que: “são os ‘breaking news’ – noticias no momento”. (Ascheim, appud., Bryant,2006). Acerca deste propósito, este editor considera que as principais preocupações devem passar em: “como incluir o público no fenómeno comunicativo” (Ibid.,2006). No entanto, como iremos ver em seguida, aqui, observam-se ainda algumas reticências em relação à inclusão do público no papel de produtor devido à questão do “Gatekeeper” (Deuze,2003). No entanto, com a progressiva democratização tecnológica, qual será o papel do público?

3 – O PÚBLICO PRODUTOR DE CONTEÚDOS E O JORNALISMO – SERÁ ESTE UM PROBLEMA QUE VEM DE DENTRO?

Hoje observa-se que há um manancial de “softwares”  e equipamentos cuja a disponibilidade financeira é bastante acessível e até gratuita – no caso do “freeware” (Ibid., 2001). Por isso, hoje, há a crença que qualquer pessoa tem a possibilidade de produzir conteúdos. No entanto, como é que funcionará este relação e troca de poderes entre quem produz e quem consome? 

Hoje, observa-se que há uma ideia clara que: as pessoas estão ávidas de conhecimento; estão disponíveis para ver, ouvir e ler qualquer coisa acerca de qualquer assunto (Bowman, Willis, 2003). No entanto, apesar da generalização que patenteia a observação anterior, aqui, acerca deste propósito, jamais se poderá considerar que os públicos são limitados. Hoje, com os crescentes níveis de info-inclusão afere-se que há a disponibilidade de um manancial de ferramentas e de consequentes conhecimentos. Observa-se que esta realidade fundamenta acções como: “o desejo de uma igualdade de direitos entre o ‘cidadão repórter’ e um jornalista profissional” (Pandrea, 2007: 517). Aliás, nos EUA, já há processos a decorrer em tribunal por causa deste motivo (Ibid., 2007). Esta mutação de papeis baseia-se na crença de que a ideia de: “filtrar e informar”, está a ser progressivamente substituída por uma realidade que passa por: “informar e filtrar”. Aqui, pode-se fazer um parênteses para ver que não são os acontecimentos de grande profundidade jornalística que estão a ser tratados; é essencialmente o desejo de participar no evento comunicativo e revelar assuntos que escaparam às grandes empresas de comunicação (Gillmor, 2004: 143-149). No entanto, quando se pensa nas realidades profissionais, observa-se que a hegemonia da realidade das empresas mediática como: “Gatekeeper” está cada vez mais em causa. E esta ameaça não provém só da tecnologia mas do seu próprio público (Bowman, Willis, 2003: 7). Aliás, quando se pensa nas questões deste último tópico conclui-se que: houve uma quebra na “Linearidade” – característica dos trabalhos dos jornalistas tradicionais – e passou-se a trabalhar em “estórias” com múltiplas narrativas (Bastos, 2005). No entanto, no que se refere à questão anterior – acerca da inclusão do público nos espaços de produção de conteúdos – regista-se uma dificuldade acrescida cuja a resolução se crê como um aspecto fundamental no futuro das realidades mediáticas Bryant (2006), Shuen (2008), Suroweiki (2007). Aliás, este último autor considera que para alem da necessidade que provém de uma presença útil numa dada comunidade, este aspecto deve-se à crescente necessidade do empregado/colaborador sentir riqueza palpável quando se tem sucesso (Ibid., 2006: 237). Dan Gillmor considera que esta realidade tem um grande potencial porque o número de leitores é superior ao de profissionais; por isso, haverá maior variedade de conhecimento e de perspectivas. Portanto, deverá haver um convite para que o público participe no evento mediático (Ibid., 2004:127)!5 No entanto, como é que funcionam

4 – UMA CRESCENTE CULTURA PARTICIPATIVA – QUESTÕES, RESOLUÇÕES E CONCLUSÕES

Ou seja, tal como Jenkins, pode-se aferir que há um maior aproveitamento por parte das empresas dos conteúdos que são produzidos pelo público. Resultados directos de um desejo emancipador que advém de uma crescente cultura participativa (Ibid., 2006). Hoje, observa-se a existência de uma grande variedade de equipamentos e processos que fazem com que o público seja um elemento activo no processo criativo; ou seja o consumidor é também um contribuidor activo e vice-versa (Willis, Bowman). Aliás, Hélder Bastos conclui que a própria existência de acervos com conteúdos vídeo com a possibilidade de arquivo e difusão é já sinonimo de uma crescente inclusão do público como elemento produtor do seu próprio entretenimento (Ibid., 2005). Hoje, existem milhares de “agregadores de conteúdos audiovisuais” que funcionam como distribuidores – através de sinal IP (Internet Protocol). Estes estão organizados por género para que possam captar a atenção de pequenas comunidades de consumidores (Palmer, 2008: 46). Aliás, este autor considera que apesar de ser um meio que ainda não tem uma identidade própria, há aqui grandes benefícios financeiros que advém do sucesso que a televisão tem na Internet (Ibid., 2008: 42). Por isso, não será ao acaso que todos os canais tem disponíveis sites com uma grande percentagem dos programas que compõem as suas emissões. Por exemplo, em Portugal afere-se que a RTP, SIC e a TVI tem a grande maioria dos seus conteúdos disponíveis nos seus espaços na “web”. Poder-se-á dizer que esta é realidade é fundamentada num desejo de “Bem Estar Social” que é o poder de escolha em termos de emissões que os media alternativos dão aos seus públicos. Luísa Coelho Ribeiro considera que é neste característica que se baseia o sucesso de realidades como: TV Cabo, e o Televendas etc. (Ibid., 2007: 33). Aqui, para além desta realidade observa-se que na Televisão por Internet existe uma atitude de “videosnacking” em sítios como: “Youtube”, “Vimeo”, “MSN”, “Veoh” (Palmer, 2008: 43). Aqui quase de uma forma que se crê “indie” (alternativa ou até marginal) difundem-se vídeos , em baixa resolução, que foram produzidos com um investimento limitado e são completamente gratuitos (Ibid., 2008: 43). Por isso, para alem do evidente interesse em consumir, percebe-se que hoje o papel do público produtor é fundamental (Deuze, 2004: 140). Por isso, num visão futurológica, Deuze conclui que a solução poderá passar por uma postura de: “narrar com” e não “narrar para” (Ibid., 2007). Em suma, viu-se que hoje, nas empresas mediáticas, vive-se um momento em que há a necessidade de se repensar as suas estratégias (Goetz, 2005). Amy Shuen considera que o sucesso dos movimentos participativos passa por: “aferir a importância que comunidades abertas têm” (Ibid., 2008: 170).

5 – BIBLIOGRAFIA

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